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Exportações de minério de ferro crescem, mas receita cai

27/10/2015

 Exportações de minério de ferro crescem, mas receita cai

Foto: Divulgação Internet

Estrela do comércio de Minas Gerais e do Brasil com o exterior, o minério de ferro vive numa encruzilhada de desafios no mercado internacional, mas não perdeu toda a majestade na balança brasileira. Os embarques da matéria-prima terminaram setembro em ciclo de alta acumulada no ano de 6,13% e devem manter o ritmo até dezembro, a despeito de a receita das vendas ter despencado 47,11% na comparação com os primeiros nove meses de 2014. Entre a boa e a má notícia, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), os números mostram que o carro-chefe da produção mineral do país puxa uma nova corrida das grandes empresas exportadoras, a Vale e a Samarco Mineração, diante de seus concorrentes no mundo. A briga é para aumentar a oferta de minérios mais ricos em ferro, portanto mais caros, e processados a custos menores.

A ordem é disputar cada palmo da demanda dos maiores compradores na China, Japão, Europa e Oriente Médio, num ambiente que alimenta as baixas dos preços, próximas de 50% no último ano, contudo, deslocando fornecedores menores da comodity. Como mandam as leis da economia, a oferta execessiva pressiona as cotações, o que exige maior esforço das mineradoras e ajustes que implicaram, neste ano, cortes na produção da Vale em Minas Gerais, ao mesmo tempo em que, agora, começa a crescer o processamento para elevar os teores de ferro nas jazidas de Itabira e de São Gonçalo do Rio Abaixo, na porção central de Minas.

A movimentação das empresas difere de ondas anteriores de mercado, quando a corrida dos concorrentes se deu em longo período de preços ascendentes. As cotações da tonelada de ferro saíram de US$ 20 no começo de 2005 para atingir US$ 140 em 2011. Em janeiro último, estavam na faixa dos US$ 60. Estimativas da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) indicam fôlego para os volumes embarcados no Brasil continuarem a crescer e avançar mais 5%, pelo menos, em 2016, num cenário de continuidade da queda do valor da tonelada exportada.

De janeiro até o mês passado, o preço da tonelada brasileira exportada foi de US$ 40,70, ante US$ 81,67 registrados de janeiro a setembro de 2014. “A briga se dá entre as gigantes do setor. Se alguém abrir espaço, ele é ocupado pelo concorrente”, afirma o presidente da entidade, José Augusto de Castro. Estima-se que as multinacionais Rio Tinto, BHP, Vale e a companhia australiana Fortescue Metals Group tenham respondido por mais de 70% da oferta mundial no ano passado. As três competidoras da Vale anunciaram aumento ou recorde de produção, assim como fez a companhia brasileira nesta semana.

A Vale deverá se confirmar no posto de maior exportadora do país em 2015, já tendo despachado ao exterior embarques gerais avaliados em US$ 8,541 bilhões de janeiro a setembro. O diretor administrativo do Sindicato da Indústria Mineral de Minas Gerais (Sindiextra), Cristiano Monteiro Parreiras, afirma que, com a forte demanda apresentada pelo mercado chinês nos últimos anos, as companhias expandiram a produção de olho na cotação do minério de ferro no mercado internacional. Segundo ele, a expectativa era que os chineses mantivessem a demanda em alta, inclusive com a entrada de outros consumidores, mas isso não ocorreu. Pelo contrário, a desaceleração do crescimento do país resultou em estagnação da demanda. “O problema do minério não é a demanda. O que se tem é uma sobreoferta do minério australiano”, disse.

Nesse sentido, as mineradoras com melhor custo/benefício têm conseguido se manter em alta, inclusive com elevação da produção. No Brasil, é o caso principalmente da Vale e da Samarco. Em outros países, fora do rol de tradicionais no setor, o que se observa é a paralisação na produção. A quarta maior mineradora do mundo, Glencore, paralisou a produção em minas importantes na Austrália e no Peru. Segundo Parreiras, as companhias brasileiras apresentam bom nível de competitividade, mas, dada a ferrenha disputa por mercado no atual cenário, as empresas vão procurar ampliar a produção em minas com melhor custo/benefício. “Esse acréscimo de produção demonstra a competitividade do setor mineral, que, mesmo em crise, continua a buscar espaço no mercado”, destaca o diretor do Sindiextra.

Eficiência a todo custo Grandes ajustes de custos e o desembolso de recursos com o objetivo de melhorar a produtiviade, para continuar gerando retorno atrativo aos investidores, ainda estão por vir, num momento de preços baixos, como observa o relatório Mine 2015, publicado pela empresa de consultoria PwC, que aborda os rumos da indústria global de mineração, com destaque para as 40 maiores mineradoras do mundo, incluindo a Vale. Os maiores efeitos desse ambiente desafiador serão sentidos nos produtores de minério de ferro, em razão do declínio dos preços, segundo o sócio da PwC Brasil, Ronaldo Valiño. “Além da noticiada demanda mais lenta da China, as quedas de preço estão muito relacionadas ao excesso da oferta atual no mercado”, afirmou o especialista, ao divulgar o relatório em meados deste ano.

Itabira investe para retomada

Berço da atuação da Vale, as reservas de Itabira, na Região Central de Minas Gerais, vão retomar, com minério de alta qualidade, o nível de produção, que vinha caindo desde 2006. Três grandes projetos de processamento e retirada de impurezas de minério pobre em ferro, do tipo itabiritos, vão permitir à companhia elevar a produção no município, estimada em 35 milhões de toneladas neste ano para 39 milhões em 2016 e 50 milhões em 2018. Se confirmada a progressão, será o melhor resultado em 13 anos.

As intervenções estão sendo feitas a partir de atualização tecnológica de processos e equipamentos nas minas de Conceição e do Cauê, como parte de um pacote de investimentos em fase de conclusão orçado em US$ 5,5 bilhões, lembra Antônio Padovezi, diretor do Departamento de Ferrosos Sudeste da Vale. Os recursos contemplaram também a mina de Vargem Grande, em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A mineradora investiu outros US$ 423 milhões nos últimos sete anos e acaba de pôr em marcha a expansão de sua maior jazida mineira, de Brucutu, em São Gonçalo do Rio Abaixo, com o mesmo objetivo de elevar a qualidade do minério e ampliar a vida útil de seus ativos.

“Em termos de qualidade e custos competitivos, estamos bem posicionados em Minas”, disse Antônio Padovezi ao Estado de Minas. Com a implantação dos projetos, a companhia passa a explorar minérios lavrados com 42% de teor de ferro e que ao fim dos processos de beneficiamento nas reservas apresentam grau de pureza de 68%. Padovezi observa que a referência de preços usada no mercado internacional são minérios com teores de 62% de ferro. Acima disso, o produto recebe prêmios pela qualidade.

“A busca de produtividade não para. Não significa que chegamos nesse patamar e estamos satisfeitos”, completa o diretor da Vale. Em razão dessa meta, a empresa cortou 13 milhões de toneladas de capacidade anual de produção em jazidas consideradas muito antigas e improdutivas de Minas Gerais. A companhia informou, durante a divulgação dos resultados do terceiro trimestre, que espera reduzir o custo de produção de minério de ferro para US$ 10 por tonelada, depois do pleno funcionamento dos projetos nas reservas de Minas e da entrada em operação do S11D, a nova megaexpansão de Carajás (PA), com capacidade para produzir 90 milhões de toneladas de ferro por ano. De julho a setembro, cada tonelada foi produzida pela companhia a US$ 12,70. (MV e PRF)

 



Fonte: Estado de Minas

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